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quarta-feira, maio 11, 2005

Corinthians x São Paulo

Um clássico entre duas equipas de São Paulo é uma experiência única, que no entanto sempre me foi desaconselhada. De todas as combinações possíveis (as equipas são Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos), aquela que foi considerada a pior de todas é a que envolve as duas primeiras equipas, pois estas são as que têm mais adeptos.

E porque razão? A violência que há nestes jogos. O perigo não se encontra no estádio, mas sim antes e depois do jogo. O futebol é apenas mais um motivo para lançar confusão num país com problemas sociais astronómicos. Então, ser torcedor do adversário passa a ser considerado como um crime pelos adeptos mais violentos. Era o que me diziam, mas eu queria ver para crer.

Não esperava ver um jogo destes tão cedo, mas a vinda de outros contactos a São Paulo deu origem à aventura. Tratava-se de um excelente programa de domingo à tarde, para relaxar do fim-de-semana que se adivinhava bombástico. Compraram-se os bilhetes para uma bancada central, com adeptos do Corinthians mas mais tranquila (pelo menos durante os 90 minutos de jogo), e a entrada no estádio não foi problemática. Até achei tranquila de mais, comparando com os outros jogos a que eu já assisti.

Começa o jogo, e três golos do São Paulo em 16 minutos interromperam o bonito colorido que a Quadra dos Gaviões da Fiel emprestava às bancadas. A equipa jogava mal e a torcida permaneceu relativamente calma até ao intervalo. No entanto, a fama da claque deixava-me nervoso: não sabia bem o que podia saír dali, mas pressentia que podiam aparecer problemas.

No segundo tempo, o descalabro continuou com mais dois golos do rival. Foi a gota de água...sucessivas tentativas de invasão do relvado (cinco conseguiram mesmo fazê-lo) e confrontos violentos com a polícia militar. Para juntar ao pacote, cânticos da torcida incitando à violência no final do jogo. Já tinha visto tudo o que havia a ver, era altura de não perder mais tempo para saír das imediações do estádio. O meu jogo tinha acabado.

Acabou por ser até mais tranquilo do que poderia ser. Logo à saída estavam táxis parados que levaram o grupo para longe da confusão. Deu para sentir um pouco de medo, mas a experiência não deixou de ser interessante, nem que seja para testemunhar os factos.

Foi pena não ter levado máquina (segurança assim obriga) para documentar esta história. Ficam aqui umas publicadas num jornal-online. Não se assustem, esta é a realidade deste país. Não há que escondê-la.

1 Comments:

At 5:17 da tarde, Blogger Carlos Oliveira said...

Q grande jogo...

Deve ser uma experiencia unica...

Aqui os jornais dizem que a torcida protesta quando o Roger n joga... deve ser por ser o "menino do rio"...

O nosso SLB e q esta muito mal... teve tao perto e agora esta tao longe...

Grande Abraco

 

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